É a época do instantâneo, desde o macarrão aos amores, tudo. Se um amor (alias, amor..?) não da certo, não se perde tempo, troca-se, joga-se fora até porque viramos pessoas descartáveis, com almas compráveis e surpresa é o honesto jamais o contrário. Encaramos relacionamentos como muletas e de muleta em muleta vamos nos esvaziando, o culto é chato, ler é perda de tempo, não aceito isso.
Minha alma velha sofre todos os dias, não se encontra nesse mundo, não que eu, seja superior as pessoas, é so um problema de desencontro, eu estou, cada dia mais ranzinza, as conversas não me agradam, as pessoas me desanimam.
Talvez seja uma crise de meia idade aos 16, talvez minha alma tenha síndrome de Benjamin Button, pois que se deixe claro: necessito da cura, ou me recuso a viver nessa sociedade, eu quero o ópio, quero a futilidade, afinal a realidade é dura demais, dura com os que a vêem como é, onde se compra esses óculos que deixam o dia a dia mais com cara de comercial de margarina? Será que vem de brinde no mc lanche feliz?
Mas, tudo isso vai melhorar, afinal quem sabe eu ate freqüente os bailes da terceira idade, almas velhas precisam de companhia, quem sabe ate um instituto de apoio às almas velhas.
Talvez até a utopia dos clássicos, uma sociedade que se valorize o diferente, o inteligente, em que se busque o conhecimento e não o oposto, que as pessoas sejam de verdade, de carne e osso, com mais defeitos e menos silicone, mais pessoas malhando na biblioteca, menos suplementos, mais livros, menos corpo, mais alma, quem sabe assim, pudéssemos viver e evoluir quem sabe.. Mas deixa-me voltar a minha vida velha, com utopias gastas, alias, me deixa anotar aqui: comprar novas ideologias segunda-feira. “Um sonho a mais não faz mal.”





